Ermida de Santo António
Uma obra da responsabilidade da Chancelaria da Ordem de Avis, que data de 1 de Fevereiro de 1656. Um religioso anónimo doou as terras e valores monetários para a construção desta ermida.
Esta igreja vai ser recuperada com fundos que a Paróquia tem conseguido angariar de actividades culturais, as quais a Câmara Municipal de Mora tem apoiado com todo o agrado.
Enquadramento
Periurbano, em zona outrora descampada, inserido numa frente de rua, calcetada, para a qual deita a sua fachada S.; fachada principal antecedida por adro murado, rectangular, com acesso por cancela travessa de ferro forjado, no qual se encontram dois ciprestes, afrontando a fachada do templo, e um abeto; pela banda N. várias construções adossadas, envolvendo o corpo da Sacristia, abrindo para terreno desafogado, encontrando-se nas imediações uma unidade de turismo de habitação; adossada à cabeceira casa de habitação, térrea. Várias antenas de televisão e postes eléctricos cujos cabos se entrecruzam diante da fachada principal.
Descrição
Planta longitudinal escalonada composta por nave rectangular, capela-mor mais baixa e sacristia a N.; volumes articulados, massas dispostas na horizontal com cobertura diferenciada em telhados de duas águas para a nave e capela-mor, de uma água na sacristia. Fachada principal orientada de pano único delimitado por cunhais pintados a cor ocre, munidos de mísulas e rematadas por pináculos coroados de bolas; embasamento pintado a cor ocre e remate em frontão curvo, com cornija moldurada, embebendo pequena sineira axial, de volta redonda, coroada por cruz de mármore, com o respectivo sino de bronze; ao centro rasga-se o portal principal de verga recta e molduras graníticas ladeado por duas janelas quadradas, gradeadas, de molduras também graníticas; sobre o portal pequeno nicho inserida em composição arquitectónica rectangular rematada por frontão curvo moldurado e com tímpano pintado a ocre. Fachada S. de dois corpos, correspondentes à nave e capela-mor, o 1º de pano único definido por cunhais pintados a cor ocre munidos de mísulas molduradas continuando o recorte da cornija de remate, com listel pintado a ocre; embasamento pintado a ocre; centro rasga-se porta travessa, com acesso por um degrau, de verga recta e molduras pétreas; corpo da capela-mor reentrante, de pano único cego, com embasamento pintado a cor ocre e remate recto em cornija moldurada e beirado. Fachada N. de dois corpos, correspondentes à nave e capela-mor, o 1º de pano único, cego, com remate recto em cornija moldurada e beirado, tendo adossado, em cerca de metade da largura, o corpo rectangular e estreito da Sacristia embebendo a NE. a parede fundeira da nave e parte da capela-mor; apresenta os alçados cegos excepto a E. rasgado por pequena janela rectangular; o corpo da capela-mor encontra-se envolvido por construções adossadas. Fachada E. correspondente ao corpo da nave de pano único, cego, com remate em empena tendo adossado o corpo da capela –mor, mais baixa e estreita, igualmente de pano único e remate em empena. Todas as fachadas são de alvenaria rebocada e caiada.
INTERIOR: Nave única com pavimento de tijoleira e cobertura em abóboda de berço, com penetrações, de três tramos sustentados por arcos torais, descarregando em pilastras munidas de bases e capitéis rectangulares, pétreos; no 2º tramo tirante de ferro. Os alçados laterais apresentam por banda arcarias cegas de volta perfeita, assentes em pilastras idênticas às já descritas, funcionando como arcos formeiros das abóbadas e dos quais nascem as penetrações; os alçados E. e O. apresentam cada idêntica arcada, mas mais larga, estribada por meias pilastras; todos os arcos torais, formeiros e pilastras são em alvenaria escaiolada simulando cantaria aparelhada e argamassa. No alçado O. sobre a porta principal, duas janelas rectangulares, cegas, estreitas e em capialço, são munidos de molduras escaioladas imitando o mesmo motivo de cantaria aparelhada. Do lado da Epístola, no 2º pano, porta recta com idênticas molduras e pia de água-benta de mármore. Do lado do Evangelho, no 2º tramo, púlpito de caixa rectangular de alvenaria rebocada e caiada, assente em mísula relevada; tem acesso por porta recta com molduras idênticas às já referidas. Arco triunfal de volta perfeita sobre pilastras munidas de bases e capitéis em tudo idêntico às arcadas e suportes dos alçados, mas de dimensões mais avantajadas ao nível das modinaturas e largura dos suportes. Capela-mor rectangular com pavimento de tijoleira e cobertura em abóboda de berço sobre sanca moldurada na continuação dos capitéis do arco triunfal; rodapé envolvente, de azulejos de esmalte, verdes e brancos formando xadrez de losangos; do lado da Epístola pequeno nicho quadrangular revestido com o mesmo tipo de azulejo; do lado do Evangelho, junto ao arco triunfal, porta de acesso à Sacristia, de verga recta e largas molduras idênticas às já descritas; retábulo-mor à face, constituído por composição arquitectónica de duas pilastras suportando frontão triangular enquadrando nicho de volta perfeita, com chave moldurada e ombreiras assentes em bases sobre plintos; na zona do tímpano talha dourada figurando o delta luminoso e a pomba do Espírito Santo; no nicho, com molduras forradas a madeira dourada, e fundo pintado figurando vieira, a imagem do orago; aos lados sobre mísulas pétreas, outras duas imagens, modernas; frontal de altar revestido a azulejos idênticos aos do rodapé; mesa de altar em forma de urna, de madeira pintada fingindo mármores cinza e vermelho. Sacristia com acesso por corredor com cobertura em abóboda de canhão de perfil abatido; é de planta rectangular, estreita, com pavimento de tijoleira e cobertura em abóboda de berço sobre sanca envolvente; no alçado E. rasga-se superiormente janela rectangular com molduras de madeira; alçados laterais cegos; a O. rasgado à esquerda por porta em arco de volta perfeita, simples com acesso por 4 degraus de alvenaria, de acesso ao púlpito; todos os alçados são de alvenaria rebocada e caiada.
Utilização Inicial
Cultual: ermida de peregrinação.
Utilização Actual
Cultual: capela.
Propriedade
Privada: Igreja Católica.
Época de Construção
Século XVII /XVIII (conjectural).
Cronologia
1656, 01 de Fevereiro – fundação da ermida com licença da chancelaria da Ordem de Avis; as terras para a construção foram doadas por um devoto anónimo que custeou igualmente as obras; 1704 – o ermitão era António Rogegas; 1960 – últimas obras efectuadas a expensas do lavrador José Garcia Nunes Mexia.
Tipologia
Arquitectura religiosa, vernacular, maneirista, proto-barroca. Antiga ermida de peregrinação de planta longitudinal com capela-mor escalonada e mais baixa. Fachada principal orientada, com remate em frontão curvo interrompido no vértice por pequena sineira; cunhais apilastrados rematados de pináculos; porta axial, recto, ladeado por janelas quadradas, gradeadas, destinadas aos peregrinos, solução característica do formulário maneirista, do aro eborense na 1ª metade de seiscentos, e presente em particular em ermidas de peregrinação. No interior o imóvel apresenta um carácter de robustez e monumentalidade que contrasta com a simplicidade exterior, e lhe são conferidos pelos falsos elementos de suporte da cobertura, arcos torais, formeiros e pilastras, de alvenaria escaiolada simulando cantaria aparelhada.
Características Particulares
O remate em empena curva provavelmente é resultado de campanha de obras posterior, talvez do século 18, assim como o falso frontão com nicho sobre o portal, obstruindo duas frestas de iluminação. Os trabalhos de escaiola interiores, simulando cantaria aparelhada, conferindo-lhe uma austeridade e robustez que de facto não possui.
Dados Técnicos
Estrutura mista.
Materiais
Alçados e coberturas de alvenaria rebocada e caiada; suportes, molduras de vãos e arcos em alvenaria escaiolada; tijoleira; azulejo esmaltado.